quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Além de um simples corpo


Falo de existência
Como se houvesse alguma
Suave e delicada, como uma pluma
E que mostrasse a essência

Fingo ser útil ao mundo
Sorrindo e aceitando a verdade
Sem saber o que é maldade
Em tanta bondade, me confundo

Faço de mim, cadáver vivo
Acorrentado aos erros, machucado
Persistindo uma ou duas mais, enterrado
Em campos desolados, sem abrigo

Fujo da luz do orgulho
Rabo entre as pernas, acomodo-me
Junto às ninfas da mentira, deleito-me
A paciência socada, em infame embrulho

Fui homem quando admiti errar
Mas não o fui para ser quem deveria
Sonambulismo ou insônia, madrugada vazia
Desejando apagar mais um dia

Por não saber como recomeçar

Pedidos de perdão à esperança


Em uma ilha deserta, completamente deslocada do resto do mundo, solitária e triste, largada à mercê do esquecimento, estamos a esperança e eu...

Não temos nada, não somos fortes o bastante para enfrentar o isolamento. A infinidade deste mar de dúvidas e sofrimento arrebata-nos, cortando nossa peles, almejando alcançar a carne. Quem nos trouxe a ese lugar? De quem foi a idéia de viajar para um local tão cruel e desolador? Como chegamos aqui? Para todas as questões, uma única resposta; Fui eu! Simplesmente, eu!

Digamos que temos uma espécie dem ligação-relacionamento. Não dá para definir ou aproximar de algo como namorados, casados, amantes ou o que for do gênero. Apenas somos ligados um ao outro. Porém, que ligação mais conturbada...

Ela não tem culpa... Eu a trouxe para essa maldita ilha chamada "ANSIEDADE" ma tentativa de acender a chama do noso amor. Queria uma lua-de-mel especial. Algo inesquecível. Bem mais que um jantar à luz de velas, observar as luzes da cidade ou um passeio por Paris...

Não... Eu preferi a maldita ilha, iludido por sua hospitalidade ímpar, o otimismo na cara dos funcionários, a boa vontade do manobrista, a alegria do carregador de bagagens. Ha, ha, um serviço de primeira! Foi o que imaginei, quando o panfleto mágico caiu nos meus pés! A ansiedade deve ser boa! 

Pensei dessa forma, inocentemente. Será o melhor presente para alguém tão nobre como a esperança. Senhora de todos os homens, de todas as mulheres, dos animais, das bactérias, dos vermes, de tudo que respira. Ela cuida da auto estima de todos nós. Nos resguarda, nos protege do pessimismo, sempre nos armando de ousadia, coragem, determinação, garra e comprometimento  com nossos objetivos! 

Ela é maravilhosa! Um ser invejável, incomum e mesmo assim tratei como se assim não fosse. O tanto que fez por mim e o tanto que nunca farei por ela... É o preço da ingratidão, mais alto que as cotações das ações dos petroleiros enricados e entupidos de dinheiro e ambição. Fui mais cruel que o calor bestial dessa ilha sem fim, mais cruel que a ansiedade, porque, homem como sou (ou deveria ser) não protegi a quem amo, pensando apenas no meu bel prazer.

"Ménage a Trois", com duas divas da personalidade e audiência humana. As mais votadas em concursos de popularidade e fóruns de atividades. Elas deveriam se amar.

A esperança, minha amada esperança, deveria desfrutar da ilha, pois muito as duas têm em comum; são movidas ou governadas pelo mesmo pai, o tempo; aqueçem os corações daqueles que mirabolam planos para o futuro; fortalecem os laços familiares, na saudade, na espera, na chegada e na despedida; unem-se no sorriso da criança, na apreensividade do jovem, na satisfação do adulto e na gratidão dos idosos. Vê-se logo que eu destrui essa parceria... Vê-se logo que fui o algoz de uma tragédia imensurável, tanto na minha vida de minha amada, como na minha própria jornada.

Existe sempre duas formas de se usar uma espada; a primeira é para matar os inimigos; a segunda para matar a quem amamos. Eu acreditava amar a esperança tanto quanto eu acreditava me amar. Não fosse o bastante descobrir isso, percebi que nunca aprender a combater meus inimigos foi o mesmo que fincar a lâmina entre nossos corações.

A beleza da ansiedade me cegou, me iludiu vorazmente. Fui prepotente ao pensar que tinha controle sobre esse lugar, que nada, nem ninguém, poderia nos machucar. Muitas vezes o inimigo não mora ao lado, mas dentro de nós, como um de nossos órgãos. Quem sabe até não seja o coração...

Bendita ingenuidade que arrefeceu meus neurônios e me fez crer que ser ansioso não me faria mal algum e menos ainda à minha bela companheira! Que seja tarde demais para pedir desculpas! Não vejo outra utilidade para esses escritos que não seja ajoelhar-me aos pés dessa divina criatura e implorar sua absorção... Ouça-me, querida...

" Esperança, rainha de todos que a contemplam e a tem eu seus corações, por favor, perdoe este animal que teve o ímpeto de ferí-la com a promessa de que saberia o que fazer... Foi um erro...

Eu matei pessoas, feri pessoas, decepcionei pessoas e parece que a vida é continuar nesse fluxo inconsequente. Mas, não poderei, nem devo, te levar comigo. Você não merece ser cúmplice de tamanhas atrocidades e injustiças, que ferem seus princípios e conduta de qualidade e exemplo. Não quero usar de seus encantos em vão. Não posso difamar seus poderes, fingindo ser paciente e fingindo acreditar no que você pode fazer por mim. Eu acredito nos seus poderes, porém meu corpo responde e outra maneira...

Há, na verdade, uma espécie de contra fluxo entre alma e corpo. Tanto você, como eu sabemos que a primeira é mais pura, racional, concisa e precavida que o segundo, porém é o segundo que possui mais força, brutalidade, peso e poder de decisção sobre tudo que se diz respeito às minhas atitudes.

Se não sei esperar é porque me perdi em desespero, me desencontrei de seus afagos e carícias apra andar errante e displicente pelas "ruas da amargura", manchando vosso nome com minha carne suja de mentiras e pecados. Afasta-te de mim, bela mulher, bela mãe, bela irmã... Procure aquele que corresponderá aos seus anseios, pois sei que outro irá trazer mais orgulho. E digo isso porque sei que o que devo fazer de hoje em diante não compete à sua ajuda. Não a mereço e mesmo que a merecesse, seria de inútil uso agora. O que devo aprender não está nos seus livro. O que devo sentir não está nas suas palavras. O que devo fazer, não está nos seus abraços.

Eu te liberto, eu te desposo, te livro das corrente dessa vil relação, das torturas de ser minha, de um amor falso, regado às promessas mal feitas e igualmente não cumpridas. A conta está paga, Seu avião já chegou para levá-la daqui. Vai! Eu devo ficar aqui e ver meu fígado ser devorado eternamente pelo abutre que também tem o nome da ilha. Por ironia, assim que devorado completamente, meu fígado crescerá novamente para aumentar minha dor e minha punição. Uma chance a mais de sofrer por você.

Mas, vá, Esperança! Já fizeste demais por mim, enquanto eum nada fiz e não conseguirei fazer! Devo olhar o mundo sem seus olhos! Endurecer meu coração, minha alma e a minha carne! É um pecado esperar o melhor das pessoas, já que não somos perfeitos! É uma infâmia esperar que tudo seja do jeito que queremos. Sonhar o mundo ideal é coisa da literatura, do desenho, da pintura, das esculturas e da música e não esquecendo nunca da mentira! 

Em um mundo tão consumido pelo ódio, ciúme, interesses próprios, vingança, medo, arrogância e impaciência, de que vale te fazer sofrer? Você não pode fazer nada por mim! Que eu aprenda a ser forte sem sua força! Que eu aprenda a cair sem você estar lá para me levantar! Que eu me machuque , adoeça, sofra sem que você esteja lá para me curar! Eu te liberto desse fardo! Você tem tantas vantagens e nenhuma delas posso aproveitar. Me perdoe, linda moça... Não seja mais minha, mas de alguém que consiga esperar dias melhores sem ter que viver um dia após o outro, atropelando o curso natural das coisas. Me deixe e me perdoe, não sofrerás mais!"

Se foi o que eu deveria fazer por nós... Não sei... Mas sei que ao menos contribuirei para dias menos pesarosos que os de nossa estadia. Descanse em paz, Esperança...


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Hoje tive um pesadelo


Um pesadelo pode nos ser útil de inúmeras formas! Um aviso sobre o futuro, lembranças do passado em novas cores e formas! Lindos recortes de terror e aversão. Pesadelos... Eu nunca tive um de verdade, nem mesmo sonhos. Por isso gostaria de saber como seria um pesadelo. Será mesmo que é uma coisa tão ruim como dizem? Mas como pode ser uma coisa ruim, se nem ao menos é real? Coisas que acontecem no nosso subconsciente que só acontecem quando estamos no profundo sono pode nos afetar, assim que acordarmos?  Ilusões temporárias. Espelhos momentâneos de coisas reais ou falsas. Mais do que assistir um filme de terror, poderia ser participar de um filme de terror.  Fica a minha dúvida sobre o que é um pesadelo.

Um Momento Apenas


Pessoas que amam, eu não as conheço
E por não conhecer, eu desmereço
Saber que tudo não passa de objetos

Hoje uma garota me olhou com desprezo
Violência sem vida e apenas sorrirei
Pois ela nunca saberá, o quanto amei

Aquele momento, aquela figura
Um quadro pintado em questão de segundos
Mas que por formosura, se tornou obscuro

Dos céus à destruição
Do ódio à alegria
Você, causa alergia
No meu cérebro e coração

Espadas e cavalos
Passaram por todos nós
Eis que estás cansada
E me olhou assustada

Não sou homem para você?
Você foi mulher para mim...
Digo adeus,dizendo até breve
Que esta minha febre
São fantasmas de alecrim

sábado, 21 de janeiro de 2012

Flocos e Arco Íris


Uma noite muito gelada, que congelava os ossos daqueles que andavam pelas ruas e também daqueles que estavam confortáveis em suas casas. O lugar: chamado “Flocos Cortantes”. Um vilarejo coberto pela neve, onde não se havia a necessidade de pintar as casas, pois o branco do manto frio já se encarregara de dar a suave decoração.

Não havia nada que pudesse esquentar os habitantes, uma chama sequer. Nem mesmo a beleza da lua conseguia diminuir os efeitos congeladores. Entretanto, havia uma garota que estava feliz com toda aquela neve e também com a temperatura implacável.

Ela usava apenas um simples casaco marrom escuro e um gorro azul claro. Sem luvas, e uma saia vermelha escura que mostrava parte das pernas brancas e levemente pálidas devido ao efeito da geada. Mini botas tentavam dar algum conforto aos seus pequenos pés, em vista que o fato de andar por aquele vilarejo através das difíceis condições exigia esforço de um corpo tão frágil como o dela.

Aparentava ter seus dezesseis anos, olhos azuis como a espessura dos icebergs. Cabelos negros e longos que se movimentavam ao dançar com o vento cortante da ocasião. Impressionante era como seus lábios de um vermelho opaco exibiam um sorriso doentio e ao mesmo tempo alegre.

- Não há nada mais lindo do que a neve. Ela sempre nos conforta, nos brinda com sua beleza, sua individualidade. Não sei como nesse mundo há pessoas que odeiam a neve. É algo incompreensível. Livra-nos do calor do desespero e nos traz uma paz incomensurável. Andar por este vale, branco, e ver como os flocos se espalham por entre meus pensamentos é algo lindo. Se não choro, é porque meus olhos se congelaram para viver eternamente essa lembrança. Porém... O que procuro parece não estar aqui...

Ela procurava o arco-íris naquela terra gelada. Mas depois de andar e andar em seus sonhos a procura desse objeto, não obteve sucesso. Andava de um lado a outro, sem saber o que fazer para encontrar aquilo que queria ver pela última vez.

- Seria a luz da lua, uma pista para encontrar as sete listras mágicas coloridas? Ou nem mesmo ela pode me dizer onde encontro a razão da minha vida?

- Se olha para mim procurando respostas, é porque perde seu tempo procurando aquilo que sempre teve em você mesma.

Logo a menina percebeu que não era no céu que o arco-íris desejado.  Então se enterrou dentro da neve e esperou o amanhecer. Quase dormindo ela pensou o seguinte.

- O arco-íris não precisa ser colorido para me fazer feliz. Uma cor apenas pode me trazer felicidade, enquanto a busca por várias, me traz a tristeza a frustração...
E nunca mais se ouviu falar sobre outra menina que buscava o arco-íris em uma terra gelada.

Um homem estranho caminha sozinho... EM MERCÚRIO!

Olha e percebe aquele homem sozinho lá em cima! Olhando para o céu
O azul da noite, infiltrando nossas vistas como um simples véu
Olha e declama teu amor ao planeta mais confuso, Mercúrio
Do calor do sol, da bravura do mar, é o orgulho

Eu vou a Mercúrio! Nos meus sonhos...
Eu sou este, sonhador e risonho!
Quem vem comigo, planeta infinito!
É  o planeta Mercúrio, o mais bonito!

Somos amigos e vamos rodar!
Os  anéis de Saturno, não quero roubar!
As nuvens de Mercúrio, sempre viscerais!
Nos olham, rotulam, como animais!

É meu planeta natal, Mercúrio, sempre lindo!
Sem ar, oxigênio, é meu preferido...
Quero sonhar com você
Até anoitecer...

E ao fechar meus olhos não vejo o homem
Pois o homem agora anda sozinho
Seguindo seu caminho
Por onde suas pegadas somem

Eu sou Mercúrio!
Sozinho estou!
Hoje vou!
Direto para o infortúnio!

Planeta distante
Sigo errante
Mas sempre adiante

Sou o homem que andava em Mercúrio!



Roubando tempo

Sozinho, sentado, alado ao sofá
Sem força, sem pressa, nenhum motivar
O ócio espreme meus ossos em vão
Quebrados já são, inúteis estão

Não faço esforço para viver nessa vida
Feridas, infinitas, sem necessidade
Dizer liberdade, dizer igualdade
Um vassalo do vazio de atitude fria

Quem me vê, deseja não ver mais
Por minha fraqueza é dura
E duro é não ser capaz
De viver vida pura

Aquilo que muitos precisam
Um pouco mais de sentimento
Eu só estou de passagem
Aqui...

Roubando seu tempo...